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Entrevista com a Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Coliseu Micaelense, Dra. Berta Cabral, ao jornal cultural “100% Feedback” (Janeiro de 2010)

Que recordações tem do Coliseu Micaelense antes de encerrar por questões de segurança? Ele foi importante de alguma forma, no seu crescimento sociocultural?
O Coliseu foi importante para o crescimento sócio-cultural de sucessivas gerações micaelenses. Fazem parte da nossa memória colectiva os seus espectáculos de música, teatro, circo ou cinema e, sobretudo, os grandes Bailes de Carnaval que são a sua “imagem de marca” há várias décadas. O Coliseu foi sempre um pólo de dinamização sócio-cultural na nossa cidade em geral e, em especial, na confluência da Avenida Roberto Ivens com a Rua de Lisboa, partilhando a animação popular de fim-de-semana com o ringue do União Sportiva e a cervejaria Melo Abreu. Cresci naquela zona da cidade e guardo por isso, com muito carinho, as referências desse ambiente próprio da época.
Já como presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, recorda-se de como se sentiu, quando entrou na Maior Casa de Espectáculos dos Açores e viu o seu estado de perigosidade e degradação?
O estado de degradação quase irreversível das instalações do Coliseu Micaelense sempre me incomodou como cidadã e preocupou como responsável política. Um património com 90 anos, de reconhecido interesse histórico, arquitectónico, cultural e social, corria o risco de se descaracterizar ou mesmo ruir, não obstante tratar-se do único Coliseu dos Açores e do segundo mais antigo de Portugal. Ainda enquanto candidata ao primeiro mandato como presidente da Câmara Municipal, assumi logo o compromisso público de adquirir e recuperar o Coliseu, devolvendo a Ponta Delgada a sua maior e mais emblemática casa de espectáculos. Devo dizer que muitas pessoas não acreditaram que isso fosse possível. Mas lançámos “mãos à obra” e, em menos de três anos, conseguimos adquirir o Coliseu, conceber o projecto, lançar a obra, assegurar o financiamento, executar a empreitada e reabrir o renovado Coliseu!
Aquando da sua reabertura, há cinco anos, sentiu que estava a devolver a Ponta Delgada, alguma dignidade sociocultural, que se encontrava entretanto um tanto ou quanto perdida?
O dia 30 de Janeiro de 2005 foi muito importante para a cultura nos Açores, para a cidade de Ponta Delgada e para mim própria também. Confesso que senti uma emoção indescritível quando inaugurei esta que foi a nossa primeira grande obra. Cumprimos o nosso desafio e concretizámos o sonho de todos. Não hei-de esquecer as sensações que vivi na Gala de Reabertura do Coliseu Micaelense, enquanto cidadã de Ponta Delgada e presidente da Câmara Municipal, por estarmos a concretizar a oportunidade histórica que a nossa cidade desejava e merecia. A reconstrução do Coliseu Micaelense foi a obra emblemática do primeiro mandato, tal como a edificação da Igreja de Nossa Senhora de Fátima marcou o segundo. Gosto de fazer as coisas acontecerem.
Qual o balanço que faz do comportamento cultural do Coliseu Micaelense nestes últimos cinco anos?
Nos primeiros cinco anos desta sua nova fase, o Coliseu Micaelense prestou um poderoso contributo para a dinamização sócio-cultural da cidade de Ponta Delgada e da ilha de S. Miguel. Promovemos ou acolhemos cerca de 600 eventos que envolveram a participação de mais de 400.000 pessoas! Trata-se de cerca de 120 eventos por ano e de uma média de 700 pessoas por evento, o que prova bem o dinamismo da nossa actividade oferecendo uma programação de qualidade, quantidade e diversidade. Foram eventos regionais, nacionais e internacionais de música, dança, teatro, circo, bailes, banquetes e feiras, potenciando assim a versatilidade das nossas instalações que é única nos Açores e rara em Portugal. Portanto, só posso fazer um balanço extremamente positivo que, aliás, é confirmado pela adesão do público. Acresce ainda que tudo isso tem sido conseguido com grande contenção de custos e racionalização de meios, graças a uma equipa tão pequena e polivalente como competente e motivada. O Coliseu conta apenas com sete colaboradores a tempo inteiro, que bem merecem o nosso público reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem, durante os primeiros quatro anos sob a direcção-geral do José Andrade, que se mantém como administrador, e actualmente com a coordenação operacional do director Ricardo Pereira. É caso para dizer que somos “poucos mas bons”…
Tem o Coliseu Micaelense sido a resposta no que toca à divulgação de alguns espectáculos de cariz açoriano?
O Coliseu Micaelense não tem descurado – pelo contrário, tem mesmo incentivado – a realização de produções açorianas, embora sempre considerando que as mesmas devem ser adequadas à dimensão e às características desta casa de espectáculos. Apesar de sermos uma entidade com estatuto e gestão empresarial, que deve produzir receita de bilheteira para suportar despesas de produção, tem sido possível estabelecer parcerias, mutuamente vantajosas, com artistas e produtores locais, contribuindo assim para a valorização dos agentes e para a dinamização do mercado. No Coliseu, os “santos da casa” também “fazem milagres”…
Os grandes espectáculos em cartaz a nível nacional e internacional, vão continuar a ser uma aposta no futuro?
Sem dúvida que sim. O Coliseu Micaelense está especialmente dimensionado e vocacionado para a apresentação de grandes espectáculos nacionais e internacionais, que de outra forma não poderiam deslocar-se aos Açores, pelo que prosseguiremos a nossa aposta nesse sentido, assim continuemos a merecer o apoio dos patrocinadores e a receptividade do público.
Sem os grandes e pequenos patrocinadores, teria o Coliseu capacidade financeira para manter o grande nível da sua agenda cultural?
A participação dos patrocinadores é muito importante para a gestão da nossa empresa. O Coliseu Micaelense suporta as suas despesas de funcionamento e de programação com base nas receitas de bilheteira, no aluguer das instalações e, sobretudo, nos patrocínios privados. Destaco, de entre todos, o BANIF, com o seu estatuto de principal Mecenas do Coliseu, mas também outros apoios à programação anual (como as empresas Irmãos Cavaco, Somague/Ediçor e Tecnovia Açores, entre outras) e alguns patrocínios exclusivos de eventos específicos (como o Millennium BCP ou a GALP). Mas devo sublinhar igualmente a cooperação que temos tido com as empresas locais de comunicação social, ao abrigo da qual garantimos a divulgação indispensável da nossa programação. Portanto, é graças aos nossos espectadores, aos nossos clientes e aos nossos patrocinadores que conseguimos assegurar uma gestão empresarial absolutamente equilibrada. A Câmara Municipal de Ponta Delgada, pela sua parte, assegura o serviço da dívida relativa à obra de recuperação do edifício do Coliseu Micaelense, cumprindo assim uma responsabilidade pública muito importante.
Concorda com a seguinte afirmação: ‘Hoje, não é necessário ir ao Coliseu de Lisboa ou Porto, para assistirmos a um bom espectáculo.’ Comente?
Naturalmente que nunca conseguiremos ver no Coliseu dos Açores todos os grandes espectáculos que se apresentam nos Coliseus de Lisboa e Porto. A descontinuidade territorial e a dimensão do mercado condicionam a nossa realidade também na perspectiva cultural. Mas a verdade é que, com a reabertura do Coliseu Micaelense, passámos a assistir em Ponta Delgada a espectáculos que de outra forma não chegavam aos Açores. Nestes últimos cinco anos, só para dar alguns exemplos, passaram pelo palco da nossa maior casa de espectáculos grandes nomes internacionais como o bailarino Joaquín Cortés e o cantor Gilberto Gil, o Ballet Clássico de Moscovo e a Orquestra Sinfónica Estatal do Palácio da Música de Kiev, a Ópera Internacional de Madrid e o Novo Circo de Xangai, entre muitos outros. De facto, com o Coliseu Micaelense, nada ficou como dantes…
Sendo 2010, um ano de crise. Quais as suas expectativas quanto ao comportamento do Coliseu Micaelense?
O Coliseu Micaelense não fica indiferente às dificuldades económicas da população em geral, até porque, quando não têm dinheiro para tudo, as pessoas começam por reduzir na cultura e no entretenimento. Isso obriga-nos, por um lado, a manter os mesmos preços de bilheteira dos últimos anos e, por outro, a adequar a estratégia da programação em função da disponibilidade do público. Se, porventura, reduzirmos a quantidade, havemos de salvaguardar sempre a qualidade e, em especial, a diversidade das nossas apostas. O Coliseu é a entidade que cumpre uma missão cultural mais abrangente, correspondendo às legítimas expectativas de um público heterogéneo, desde o popular ao elitista. Somos uma casa ao serviço de todos.
Como vai a Administração do Coliseu Micaelense comemorar a passagem da reabertura?
O quinto aniversário da reabertura do Coliseu Micaelense, como não podia deixar de ser, será comemorado com o público. Graças ao patrocínio do Millennium BCP, vamos trazer a Portugal o espectáculo “Espírito da Broadway”, directamente de Madrid para uma apresentação única em Ponta Delgada, no próximo dia 30 de Janeiro. Trata-se de uma evocação dos momentos mais marcantes de musicais que fizeram história como “O Fantasma da Ópera”, “Cats”, “Wets Side Story”, “Cabaret”, “Grease”, “All That Jazz”, “Fame”ou “Mamma Mia!”. No intervalo do espectáculo faremos um brinde com todo o público presente, não só pelos últimos cinco anos, mas também, e principalmente, pelos próximos cinco…
‘O Espírito da Broadway’ pretende marcar e oferecer, um espectáculo que ficará registado na história desta casa de espectáculos?
O “Espírito da Broadway” é, sobretudo, uma homenagem ao mundo do espectáculo e, por isso, pareceu-nos adequado para celebrar condignamente o aniversário de uma casa de espectáculos que tem vindo, também ela, a alargar os horizontes culturais do público local. Por coincidência, foi também com um espectáculo deste género, embora menos ambicioso, que realizámos a Gala de Reabertura do Coliseu Micaelense a 30 de Janeiro de 2005.
Pode-nos subir um pouco o pano do palco, e dizer-nos alguma das apostas a curto/médio prazo, previstas para o Coliseu?
As grandes apostas da programação de 2010 encontram-se ainda em fase de negociação e, portanto, serão oportunamente divulgadas ao longo do ano. Contudo, posso já adiantar que o Coliseu Micaelense vai receber este ano um evento desportivo de uma importância internacional sem precedentes nos Açores. É a “Taça do Mundo de Ginástica Aeróbica”, que se realiza pela primeira vez em Portugal, envolvendo a participação de 200 atletas expressamente deslocados de mais de uma dezena de países da Europa, América, África e Ásia. Por iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, esta competição oficial vai realizar-se no Coliseu Micaelense durante o primeiro fim-de-semana de Maio.
O Coliseu Micaelense é uma referência para os grandes produtores nacionais e internacionais, tais como o de Lisboa e Porto?
Ao longo destes cinco anos, o Coliseu Micaelense tem vindo a ganhar uma notoriedade cada vez maior junto de produtores nacionais e mesmo internacionais. A prova disso é que passámos de uma fase inicial em que tínhamos que comprar todos os espectáculos para uma fase actual em que conseguimos promover a maior parte dos eventos num regime de co-produção, partilhando custos e receitas com os produtores nacionais e internacionais (como ainda agora aconteceu com o Concerto de Ano Novo), ou mesmo em regime de produção externa, em que nos limitamos a alugar as nossas instalações e equipamentos (como fazem os coliseus de Lisboa e Porto). Isto significa que vai havendo um interesse maior pelo mercado açoriano, graças, também, ao trabalho que temos desenvolvido.
Que mensagem pode deixar aos nossos leitores, destes 5 anos de reabertura do Coliseu Micaelense e o que podem continuar a contar?
No momento em que assinalamos o quinto aniversário da reabertura do Coliseu Micaelense e como presidente do seu Conselho de Administração, gostaria de agradecer aos espectadores, aos patrocinadores e aos colaboradores por nos terem ajudado a reafirmar a maior casa de espectáculos dos Açores. Com esta certeza do passado recente, podemos continuara garantir para o futuro próximo o mesmo entusiasmo que nos levará a colocar, sempre e cada vez mais, Ponta Delgada no mapa.
Emanuel Pereira
Jornal “Feedback”
Entrevista com o Presidente da Comissão Executiva da Sociedade Coliseu Micaelense, José Andrade, à revista “ Saber Açores” (Janeiro de 2010)

Acompanhou todo o processo de reconstrução do Coliseu Micaelense, na ocasião quais foram os maiores obstáculos/desafios que tiveram de ultrapassar?
Desde logo, posso e devo testemunhar que o grande mérito da reconstrução da nossa maior e mais emblemática casa de espectáculos pertence inteiramente à senhora Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Coliseu Micaelense. Foi a Dra. Berta Cabral que concebeu pessoalmente e liderou directamente todo o processo de recuperação e revitalização deste património único nos Açores, desde o compromisso eleitoral até à inauguração da obra, passando pela aquisição do edifício e pela estratégia da intervenção. Portanto, quando agora assinalamos o quinto aniversário da reabertura do Coliseu, é da mais elementar justiça reconhecer e enaltecer o seu contributo individual para a concretização de um sonho colectivo.
Na verdade, foi graças à sua determinação e competência que conseguimos vencer sucessivos obstáculos: as dúvidas de muitos, as críticas de alguns, a aquisição das acções, o estado das instalações, a complexidade do processo, os cuidados do projecto, os custos da empreitada, o financiamento da obra. Posso mesmo revelar que a Dra. Berta Cabral acompanhou a recuperação do Coliseu como se da sua casa se tratasse, tal era a atenção que dedicava tanto à grande intervenção das estruturas como ao pormenor da escolha dos materiais.
O grande desafio que se nos colocava, afinal plenamente conseguido por via desse mesmo empenhamento, foi o de conseguir, ao mesmo tempo, respeitar o património que a história nos legou e garantir a funcionalidade que a modernidade nos impõe. Daqui resultou o velho/novo Coliseu, que a todos orgulha, como sendo um bom exemplo de respeito pelo passado, responsabilidade presente e visão de futuro.
Para o renascimento do Coliseu Micaelense contou a Dra. Berta Cabral com duas ajudas especiais: o Eng. José Medeiros na execução da empreitada e eu próprio na implementação da actividade. Mas o facto histórico de devolver aos Açores um património quase irreversível de 90 anos de cultura fica ainda a dever-se a tantos outros colaboradores anónimos e, sobretudo, à adesão entusiástica da população de Ponta Delgada.
Como foi abraçar o desafio de ser o Director do Coliseu após a sua reabertura, quando todos esperavam que uma lacuna existente fosse suprida?
Fui nomeado Director-Geral da Sociedade Coliseu Micaelense a 1 de Novembro de 2004, três meses antes da reabertura festiva da casa de espectáculo a 30 de Janeiro de 2005, com a responsabilidade de definir e dirigir o funcionamento da empresa e de conceber e coordenar a sua actividade sócio-cultural.
A recuperação dos Grandes Bailes de Carnaval do Coliseu Micaelense foi o nosso desafio mais imediato e representativo, logo após a Gala de Reabertura e ainda antes do espectáculo inaugural com o Ballet Clássico de Moscovo. Cumprido o objectivo das instalações, tratava-se agora de fazer renascer a “imagem de marca” da casa que dominava a memória colectiva de sucessivas gerações micaelenses. E, de facto, o velho Carnaval do novo Coliseu foi inexcedível e emocionante. Reconfirmámos a aposta nos tradicionais Bailes de Gala e avançámos para outras experiências bem sucedidas com crescente adesão popular, como os Bailes de Fantasias, a Festa Branca, o Baile de Halloween e, sobretudo, o Baile de Reveillon. O Coliseu é a maior, a mais bonita e a mais animada pista de dança dos Açores.
Mas o Coliseu Micaelense é sobretudo um palco dinâmico, polivalente e representativo, com sucessivos eventos regionais, nacionais e internacionais que exercitam a versatilidade singular das suas instalações e potenciam a vocação heterogénea do seu público. O nosso principal objectivo foi afirmar o Coliseu como uma casa ao serviço de todos os públicos, com qualidade, quantidade e diversidade, em espectáculos de música, dança, teatro e circo, mas também através de bailes, banquetes, congressos e feiras.
Nos quatro anos em que dirigi o Coliseu entreguei-me de “corpo e alma” a este projecto tão desgastante como estimulante. Por isso, quando a 1 de Novembro de 2008 reassumi as funções de chefe de gabinete da presidente da Câmara Municipal, fi-lo com a consciência de ter cumprido, tanto quanto possível, uma missão sempre inacabada. E hoje, já Vereador da Cultura e Acção Social de Ponta Delgada, acumulando embora a responsabilidade de presidente da comissão executiva da Sociedade Coliseu Micaelense, não escondo manter ainda, certamente para sempre, uma especial ligação afectiva a esta casa de espectáculos. Só espero, portanto, que a minha passagem pelo Coliseu tenha correspondido minimamente às legítimas expectativas do grande público tanto quanto foi marcante para mim próprio.
Que balanço faz, passados 5 anos, da aposta feita pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, versando o Coliseu Micaelense?
Cinco anos passados sobre a reabertura do Coliseu Micaelense, só podemos concluir que a aposta feita pela Câmara Municipal de Ponta Delgada valeu a pena. Em cinco sucessivas programações anuais – a última das quais já sob a direcção operacional de Ricardo Pereira – o Coliseu promoveu ou acolheu cerca de 600 eventos que mereceram a participação ou a assistência de mais de 400.000 pessoas! Trata-se de um registo, sem precedentes e sem paralelo, de aproximadamente 120 eventos por ano, com uma adesão média de quase 700 pessoas por evento.
Daqui se conclui que o Coliseu constitui um poderoso instrumento de dinamização cultural ao serviço de Ponta Delgada, de São Miguel e dos Açores, afirmando mesmo a nossa cidade no mapa nacional das principais casas de espectáculos. Devemos todos orgulharmo-nos dessa aposta ganha.
De todos os espectáculos qual foi para si o mais gratificante de conseguir produzir no Coliseu Micaelense?
Guardo boa memória de grandes espectáculos internacionais que conseguimos trazer ao Coliseu Micaelense, em apenas cinco anos, graças ao apoio dos patrocinadores e à adesão dos espectadores. Por exemplo, o Moscow Classical Ballet, a Orquestra Sinfónica Estatal do Palácio da Música de Kiev, a Orquestra Internacional de Madrid, a Academia de Dança de Pequim, o Novo Circo de Xangai, a Companhia Nacional da Turquia, o Musical da Broadway ou a Orquestra de Strauss, entre outros artistas de renome mundial como o bailarino Joaquín Cortés e os cantores Gilberto Gil, Gal Costa, Martinho da Vila e Simone. Recordo também atracções nacionais como Rui Veloso, Fausto, Sérgio Godinho, Vitorino, Jorge Palma, Kátia Guerreiro, André Sardet, Tony Carreira, Luís de Matos, Fernando Mendes, Gato Fedorento, D’ZRT, Xutos & Pontapés ou Delfins.
Mas tive o gosto especial de produzir uma gala representativa de artistas regionais – desde as orquestras e coros de Ponta Delgada ao grupo de teatro Máquina do Tempo e à companhia de dança de Milagres Paz, passando por Zeca Medeiros, Aníbal Raposo ou Luís Alberto Bettencourt, entre muitos outros – demonstrando afinal que o palco do Coliseu tanto ganha fronteiras externas como valoriza referências locais.
O Coliseu Micaelense tem uma valência muito especial, o seu Museu. Que papel desempenha este espaço e que tesouros tem para revelar a quem o visite?
O Núcleo Museológico do Coliseu Micaelense foi inaugurado a 10 de Maio de 2007, no 90º aniversário da construção do então designado Coliseu Avenida e é hoje a memória pública e perene da maior casa de espectáculos dos Açores. A sua localização privilegiada no último piso da sala interior assegura uma curiosa relação visual entre a memória do espólio e as instalações actuais, que tem vindo a revelar-se especialmente interessante em visitas organizadas de carácter pedagógico.
Da primeira documentação empresarial de Lima Araújo à última projectora cinematográfica de Santos Figueira, passando pelo piano de Teófilo Frazão e pela cenografia de José Vieira, este espaço especialmente dedicado às escolas confirma que o nosso respeito pelo passado é do tamanho da nossa confiança no futuro.
O Coliseu Micaelense é uma referência nos Açores, actualmente, ao nível da programação eclética que apresenta e da sua qualidade. Há um sentimento de dever cumprido?
Mais do que o sentimento de dever cumprido pelo que está feito, temos a consciência da responsabilidade pelo que falta fazer! Os micaelenses podem continuar a contar com o seu Coliseu…
Magda Neto
SABER Açores
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